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Depois de anos sem pai, Bovespa Mais tem várias mães

ValorInveste - 27/11/2012 - por Ana Paula Ragazzi (blog Casa das Caldeiras)

"Estamos ouvindo uma série de propostas para o mercado de acesso, todo mundo tem estudos sobre o tema, mas hoje estamos aqui no Rio, a convite do Ibmec discutindo o assunto. E lá em São Paulo a BM&FBovespa e Finep promovem um evento em que empresas pequenas se apresentam aos investidores. Por que nós não estamos lá ou por que eles não estão aqui? Ninguém percebeu que havia dois eventos complementares no mesmo dia?".

A questão foi feita por Clovis Benoni, da ABVCAP, durante o fórum do Ibmec. E ele mesmo respondeu: "É evidente que falta uma coordenação. É preciso que haja uma coordenação mais coerente e mais alinhada dessas iniciativas para que possamos buscar resultados para o mercado de acesso", disse.

Em suas palavras, Benoni resumiu um sentimento que tem tomado conta de quem acompanha o debate quente que se instalou nos últimos meses sobre o mercado de acesso e, ressalte-se, por iniciativa do mercado.

Seis anos depois de sua primeira e única estreia em que uma empresa fez uma captação, o Bovespa Mais ainda não aconteceu.

Ficou todos esses anos sem pai e agora, aparentemente, está sendo disputado por várias mães.

Aparentemente, diante da mobilização, cada entidade ou grupo está interessado em segurar a bandeira para si e deixando para depois a união dos discursos. Além de coordenação, é preciso aparar arestas.

A falta de unidade dos participantes, na visão de muitos no mercado, foi evidenciada pela própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, na sexta-feira passada, flexibilizou as ofertas para pequenas e médias, facilitando a captação. As medidas foram muito bem recebidas pelo mercado e inclusive atenderam a uma consulta da XP. A questão é que, semanas antes, após abrigar um dia inteiro de discussões sobre estudos dos mercados de acesso em países que conseguiram viabilizá-lo com emissores, investidores e intermediadores, a própria CVM anunciou a criação de um comitê técnico para tratar sobre o tema. O grupo reuniria CVM, bolsa, Finep, BNDES, Abdi e representantes do mercado. Na ocasião, a diretora Luciana Dias comentou que havia muitas vozes e propostas sobre o assunto e que a ideia de formar o comitê era concentrar a discussão e encaminhar de forma única uma proposta. Aparentemente, a ideia era de liderança.

Esse comitê teve sua primeira reunião na sexta-feira, mas, em vez de anunciá-lo, a própria CVM tomou a dianteira e de certa forma esvaziou a importância do comitê e anunciou as suas medidas de flexibilização.

Leonardo Pereira, presidente da CVM, no evento do Ibmec, afirmou que durante a reunião de colegiado chegaram a avaliar se não seria melhor esperar um pouco para divulgar a flexibilização. Ele esteve entre os que avaliaram que seria melhor divulgá-la antes, pois acredita que a "CVM deve dar uma resposta rápida ao mercado". A consulta da XP que acabou motivando a decisão da CVM foi feita em maio — e o mercado entendeu então que a marca da gestão Pereira na CVM será a rapidez de resposta.

Pereira diz que a autarquia não tem a intenção de assumir a bandeira do mercado de acesso. E diz que saiu com a medida para deixar claro o pensamento do regulador sobre esse tema. Também não vê problemas em divulgar separadamente ao comitê.

Foi Pereira quem revelou que a primeira reunião do comitê já ocorreu. A CVM informa que sua composição será anunciada "nos próximos dias". Também no evento do Ibmec, Marcelo Mesquita, sócio da Leblon Equities, contou à plateia que está no comitê. E, segundo informações de mercado, Rodolfo Zabisky, que teve a iniciativa de juntar as propostas do mercado e organizá-las no PAC-PME não foi convidado a participar do grupo técnico. Zabisky não quis falar sobre o assunto.

Com tanta gente falando extraoficialmente sobre o tema, os burburinhos só crescem. Já havia informações no mercado de que as propostas do PAC-PME não agradavam à bolsa. O PAC-PME continua com seus trabalhos e lançou um site. O comitê técnico começou a conversar. O Ibmec também divulgou um trabalho sobre o assunto, assim como a Fundação Dom Cabral. E novas propostas, pelas conversas de corredores, são de que a Fiesp vai tomar a iniciativa de propor também algumas medidas.

Depois de anos sem ninguém olhando, o Bovespa Mais corre agora o risco de ficar parado por ter muita gente querendo, sozinha, e resta saber com que força, abraçar a causa.

Fonte: http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/2919672/depois-de-anos-sem-pai-bovespa-mais-tem-varias-maes

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