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Liminar contra o Formulário de Referência é desmascarada

O jornal Valor revelou o que todos já desconfiavam: "diretores financeiros ganham mais no Brasil: pesquisa com 25 mil executivos mostra que salário de brasileiros está entre os maiores do mundo" (dia 11/12/2013).

A pesquisa, feita pela consultoria Robert Half, aponta uma remuneração mínima de US$ 12.870 e máxima de US$ 34.320 (nos EUA é de somente US$ 17.000 - valores mensais brutos). Desconfio que no caso de empresas de capital aberto esses valores devem dobrar, pelo menos.

O dia para divulgação da pesquisa não poderia ser mais apropriado: dia 11/12, Dia Mundial das Montanhas.... Remuneração nas alturas.

E tem CEO que aparece em página dupla do Valor, foto de corpo inteiro, e ainda fala de segurança. Uma piada.

Salários inflados pela complacência/falta de ativismo dos acionistas ou será culpa da Copa do Mundo?

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/12/liminar-contra-o-formulario-de.html

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Atenção meliantes de plantão: o Xerife não está dormindo

Ainda que investidores revoltosos tentem culpar o regulador e a tal governança corporativa por suas escolhas infelizes e os termos de compromisso representem uma "rota de fuga" para espertalhões e seus sábios advogados, o fato é que algo está mudando. E para melhor.

Quem leu os resultados dos julgamentos do dia 26/11 ficou com a impressão que a timidez do regulador no uso das inabilitações foi deixada de lado. Inabilitação + multas = educação do mercado. Essa é a fórmula para impor respeito, especialmente no combate ao que a AMEC intitulou o "câncer" do mercado de capitais (em "O imperador de todos os males" - opinião AMEC de 12/08/2013 em http://www.amecbrasil.org.br/o-imperador-de-todos-os-males/): os crimes de insider trading.

Para esses pilantras 10 anos de inabilitação é pouco, pois equivale a um período sabático para aperfeiçoar táticas criminosas.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/12/liminar-contra-o-formulario-de.html

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Limite de remuneração para CEO? Se a moda pega vai ter fila no Eisntein....

29/11/2013

A Suíça bem que tentou, mas o pragmatismo falou mais alto.... Já pensou perder filiais de grandes instituições financeiras que usam o bucólico país como lavanderia?

A tentativa de limitar a remuneração dos executivos a 12 vezes o maior salário em relação ao menor, exposta na reportagem de 25/11/2013 do jornal Valor (Suíça rejeita limitar salário de executivos), foi rejeitada em plebiscito por 65% dos votantes.

E se fosse no Brasil? Utilizando as informações do excelente Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto (que engloba as 100 empresas de capital de aberto mais líquidas - link no final do Blog) fiz uma conta simples, usando como salário médio (não usei mínimo !!!) o valor de R$ 3 mil, com 16 salários (13 + 3 de remuneração variável ou R$ 48 mil/ano). O resultado é estarrecedor:

- Excluídas as 30 empresas que escondem informações (lembram da lista negra publicada na postagem de 18/10/2013?), nada menos que 21 empresas estariam com uma relação superior a 100 vezes !!

- Algumas chegariam ao número absurdo de mais de 200 e até 300 vezes, como a empresa das loiras geladas (327), uma certa bolsa de valores (231), uma outra incorporadora que tem nome que parece ingrediente de salada do Cafeína (240) e uma que negocia planos de saúde (ou algo parecido com isso) com 390.

Mas como por aqui o investidor é cego a farra continua indefinidamente....

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/11/quanto-vale-um-ceo-o-efeito-nefasto-dos.html

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Quanto vale um CEO? O efeito nefasto dos supersalários

24/11/2013

Um amigo do Blog me presenteou com dados de uma pesquisa publicada na Bloomberg Business Week de 20/2/2013 que revelam a relação com a média de salários de algumas grandes empresas. Os números impressionam (ref. 2012):

- RONALD JOHNSON - J. C. Penney - US$ 53,3 milhões (1.795 vezes)

- MICHAEL JEFFRIES - Abercomble - US$ 48,1 milhões (1.640 vezes)

- DAVID SIMON - Simon Property - US$ 137,2 milhões (1.594 vezes)

- HOWARD SCHULTZ - Oracle - US$ 96,2 milhões (1.297 vezes)

Será que a era dos "CEOs Rambos" ainda não acabou? Será que um desses "iluminados" é capaz de gerar mais riqueza para uma dessas empresas do que um bom profissional de P&D? Esses profissionais se sentirão estimulados com uma política de remuneração de privilegia uma casta? Ou será que o dia deles é de 48 horas e por isso eles merecem ganhar mais de 1.000 vezes a remuneração média das empresas que presidem? Depois reclamamos dos políticos brasileiros...

E aqui no Brasil? Estou fazendo umas contas com base no Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto e parece que teremos surpresas desagradáveis.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/11/quanto-vale-um-ceo-o-efeito-nefasto-dos.html

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Está procurando um super presidente de conselho de administração?

17/11/2013

Não precisa ligar para o Warren Buffett.... Uma leitura atenta do Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto (dados de 2012 - link no final do Blog) nos revela que existem 6 "iluminados" nessa condição, a saber:

- Uma certa empresa que monopoliza o mercado de cerveja no Brasil pagou R$ 10,338 MM/ano;

- Outra que produz ônibus com sede no sul desembolsou R$ 4,410 MM/ano;

- Uma X da vida pingou R$ 3,112 MM/ano na conta do superconselheiro;

- Uma dessas que é dona de shoppings centers e tem sede no Rrrrrio de Janeiro foi generosa e pagou R$ 2,080 MM/ano;

- Uma empresa de seguros: R$ 7,821 MM/ano; e

- Uma fabricante de carrocerias/peças automotivas também sulista (R$ 2,542 MM/ano).

Partindo do pressuposto que um conselheiro de administração está afastado da gestão e que, portanto, dedica somente parte do seu tempo à Cia., não vou entrar no mérito se o "iluminado" merece R$ 10 milhões/ano para atuar como conselheiro. A prática diz que a remuneração "normal" de um conselheiro de grande empresa (faturamento acima de R$ 1 bilhão/ano) é de R$ 18 mil/mês. Mas quando o conselho está "infestado" de conselheiros eleitos pelos controladores a remuneração pode chegar a R$ 50 mil/mês. Mas nunca chega a milhões por ano !!!

Causa estranheza o fato dessas empresas oferecerem remunerações "neymarianas" somente para os presidentes dos conselhos de administração, que coincidentemente são controladores ou eleitos por esses grupos. Afinal, o que podemos pensar dos subsubsubconselheiros, que receberam respectivamente R$ 335 mil (empresa de cerveja), R$ 1,174 MM (ônibus), R$ 70 mil (X), R$ 108 mil (shopping), R$ 54 mil (seguros) e R$ 188 mil (carrocerias) no ano? Dedicam pouco tempo aos conselhos? Contribuem pouco e por isso ganham uma remuneração simbólica quando comparada à remuneração dos "iluminados"? Será somente uma "verba paletó", para sair bonitinho na foto do Relatório Anual?

Queridos leitores e investidores, isso não cheira a distribuição disfarçada de lucros?

Essa situação me faz lembrar o trecho do livro "Chatô - O Rei do Brasil": "Mas eu fiz exatamente como me mandaram. Há um documento oficial lá com o caixa, não fiz nada sem contabilização". Ao retornar à Tesouraria dos Associados o diretor encontra um pedacinho de papel onde estava escrito à lápis: "Levei tudo. Assinado, Assis Chateaubriand".

É isso: tem gente passando no caixa das empresas e levando tudo, com a complacência dos investidores que lavam as mãos aprovando a verba global na assembleia anual.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/11/esta-procurando-um-super-presidente-de.html

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Quanto vale a reputação?

11/11/2013

O sambinha do irreverente bloco de rua carioca "Charme da Simpatia", cantarolado na década de 80, dizia assim:

"Eu vesti roupa o ano inteiro,

Eu fui direito,

Tive até reputação.... reputação !!!"

Agora, queridos leitores, compare o singelo sambinha com a seguinte manchete: "J.P. Morgan tenta recuperar reputação com acordo histórico" (jornal valor do dia 21/10/2013). Valor do "acordo": US$ 14 bilhões (bilhões mesmo !!!) para "resolver acusações civis apresentadas pelo Departamento de Justiça e a Agência Federal de Financiamento Habitacional dos EUA". Tradução para o termo "resolver": encerrar/engavetar os processos, sem confissão de culpa....

E o que o caro leitor acha do caso de uma renomada empresa de auditoria que pagou US 99 milhões para "encerrar uma ação coletiva que acusava a firma de auditoria de enganar investidores ao aprovar os balanços do banco Lehman Brothers antes de sua quebra, em 2008" (jornal Valor de 21/10/2013)? O comercial das Casas Bahia diria: tá barato pra caramba.

E, por último, a manchete que ajuda a pavimentar todo tipo de acordo para proteger essas grandes instituições e seus dirigentes arrogantes, incompetentes e, acima de tudo, gananciosos: "Reputação é valor jurídico subjetivo, mas deve ser verificado com rigor" (jornal Valor do dia 5/11). Hahahahaha... Mas quem vai verificar, cara pálida? O mesmo procurador que propõe um acordinho de milhões que compra de volta a reputação? E pela lei de mercado, se alguém compra é porque tem alguém para vender....

É melhor mesmo ir junto com o Charme da Simpatia, cujo trecho final do sambinha dizia assim:

"E se você não aceitar,

Essa minha resolução,

Deixe isso para lá

Aproveite o visual,

Que eu tô muito doidão: quero ficar peladão".

Pois é, os reis estão todos nus.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/11/quanto-vale-reputacao.html

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Remuneração variável agressiva, loucuras para fazer EBITDA e os fiscais do ISS...

2/11/2013

Das empresas que mencionei na última postagem, aquelas que abrigam as versões tupiniquins de Jack Welch e Warren Buffett, a parte variável representa de 69 a 80% da remuneração total das diretorias !!! (segundo dados coletados no excelente Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto)

Atrevo-me a dizer que é incentivo demais. Dessa forma a tendência é ser arrojado para garantir alguns milhões na curta passagem pelas empresas, na linha "farinha pouca meu pirão primeiro".

E não é de se estranhar que uma empresa de capital aberto seja alimentadora do "ISSduto" revelado pela imprensa. Tudo feito por SPEs (sociedades de propósito específico controladas pela incorporadora corruptora), ou seja, com cortina de fumaça para encobrir o desvio.

Outras virão: é uma questão de tempo.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/11/remuneracao-variavel-agressiva-loucuras.html

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Meritocracia? Ou seria "farinha pouca meu pirão primeiro"?

27/10/2013

Assim como os governantes russos se dizem democráticos (entenda em Libertem os 30 - http://www.greenpeace.org), dez entre cada dez empresas listadas, daquelas que patrocinam prêmios de governança e escrevem tratados de sustentabilidade, mas que teimam em afrontar a norma da CVM que trata da divulgação das remunerações mínima, média e máxima da diretoria e conselhos (lista completa na postagem do dia 18/10), também gastam verbo para afirmar que remuneram com base na meritocracia.

Será? Indo contra aqueles que acham que a regra da CVM foi criada somente para satisfazer curiosos e fofoqueiros de plantão, uma análise dos números divulgados pelo recém lançado Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto desmascara essa turma e deveria ser observada com carinho pelos investidores: uma das campeãs da desfaçatez destina 40% (!!!) da verba global de remuneração somente para DOIS (!!!) administradores. Será que temos um novo Warren Buffet entre nós e ninguém avisou.... Queria essa dupla no ataque do Glorioso. É isso mesmo, da verba global de R$ 63 milhões as maiores remunerações abocanham respectivamente R$ 15,7 milhões (maior remuneração na diretoria) e R$ 10,3 milhões (maior remuneração no conselho). E o pior: tem conselheiro que recebe R$ 335 mil/ano. É um conselheiro série C, daqueles que torcem pelo Mogi Mirim....

Tem outra que pagou 64% da verba global para um único iluminado (R$ 11,5 milhões) !!! Mais intrigante é que se trata de uma empresa que só atua no Brasil e que fatura R$ 1,4 bilhão ano, o que nos faz questionar mais ainda essa "política" de remuneração quando compramos com a remuneração da importante empresa que mata franguinhos mundo afora e fatura R$ 28 bilhões: a maior remuneração da diretoria é de R$ 5,3 milhões, menos da metade.

E para fechar com chave de ouro o festival de barbaridades tem uma empresa que fatura modestos R$ 920 milhões e paga R$ 18,7 milhões para um novo Jack Welch. O que representa 78% (!!!!!) da verba global.

A catucada final, só para contrariar o argumento que convenceu o ingênuo juiz que concedeu a famigerada liminar: certo banco estrangeiro que curte a vice liderança na Fórmula 1 e usa a tal liminar declarou R$ 268,2 milhões como verba global em 2012. Como são 10 conselheiros e 44 diretores podemos concluir (erroneamente) que cada um recebeu aproximadamente R$ 4,9 milhões naquele ano. Ou seja, sob a ótica do astuto sequestrador especializado em ler Formulários de Referência todos são alvo potencial. Informação pública, mesmo com o uso da bolorenta liminar.

Abre o olho investidor, pois seus dividendos estão virando barco de 80 pés em Angra....

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/10/empresas-inimigas-da-transparencia.html

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Insiders: a patifaria é transnacional.... Mas qual a origem do vazamento?

12/10/2013

Contas em Cayman, operador na Suíça, empresa listada nos EUA em processo de venda e investidores brasileiros passeando na Disney: a pouca vergonha não respeita fronteiras. Mas quem vazou a informação para os "meninos"? O operador do banco-lavanderia suíça? Algum advogado que estava assessorando compradores ou vendedores (não vale colocar a culpa na estagiária do escritório...)? Ou será que eles eram amigos dos senhores que sonham grande? Perguntas sem respostas, pois o acordinho safado de US$ 5 milhões joga tudo para debaixo do tapete, no esgoto do mercado de capitais.

Mas apesar de o processo ter sido engavetado com um acordinho na SEC ainda existe a esperança que algum juiz federal norte-americano cancele essa patifaria oficializada, a exemplo do que aconteceu no acordo do Citi de US$ 250 milhões.

Você investe na empresa que vende lingerie de mulher pra mulher? Cuidado, os meninos podem virar conselheiros amanhã, já que não foram inabilitados. Continuam livres para brincar com o Pateta na Disney e atuar no mercado de ações.

Por fim, parece que o câncer do insider se alastra sob a complacência das nossas "otoridades", no melhor estilo Odorico Paraguaçú. Enquanto isso a nossa Ana Paula é tratada como pirata e os clubes russos se especializam em lavagem de dinheiro.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/10/insiders-patifaria-e-transacional-mas.html

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Pela diversidade ampla, geral e irrestrita!!!

5/10/2013

Conselhos compostos por senhores sisudos, engravatados, ternos de corte italiano, gravata Versace, X6 na garagem, Rolex no pulso..... Mas infelizmente esses senhores foram criados/educados para modelos de negócios que estão sendo destruídos rapidamente.

Chegou a hora de radicalizar. Não sou nenhum garoto e confesso que fiquei besta, como dizem os mineiros, ao participar de um conselho comandado por um empreendedor de pouco mais de 40 anos. Não adianta querer estudar mais, passar férias trancado na Columbia University, pois o modelo mental dessa geração é outro.

O resultado da última enquete do Blog, com 60% de respostas contrárias ao limite de idade em conselhos, além de debates acalorados em fóruns de ativistas, me levou a concluir que nossos conselhos estão ficando bolorentos: está na hora de radicalizar. Chega da maioria de senhores engravatados (mesmo num calor de 40ºC), com MBAs em Harvard, Yale e o escambau... E diversidade não é criar quotas para mulheres nos conselhos (e por favor deixem seus elegantes terninhos masculinizados em casa...): temos que ter diversidade de origem de verdade, como executivos formados em escolas públicas.

Novas experiências, novas visões de mundo, pois existe vida fora da Escola Britânica, do São Bento (eca) e do Dante Alighieri. Alias, se a sua empresa vende produtos no varejo provavelmente seus conselheiros não entendem nada desse mercado, pois nunca foram "clientes". Também não adianta muito trocar o conselheiro bigodudo pela perfumada portadora de uma bolsa Jennifer/Tom Ford (não conheço a distinta, vi na web... US$ 38 mil), afinal todos foram formados na mesma escola, ainda que em anos diferentes.

Aliás, a nossa educação melhoria muito se os políticos fossem obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas desde o ensino fundamental.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/10/pela-diversidade-ampla-geral-e.html

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É sonho grande pensar num insider preso?

29/9/2013

O artigo publicado no jornal Valor do dia 25/9 (pg E2 - Crise na governança corporativa?), de autoria do 1º presidente da CVM Roberto Teixeira da Costa, traz uma resposta muito serena/ponderada às críticas que recaem sobre as práticas de governança corporativa diante do fracasso de certos negócios. Concordo plenamente com os argumentos, muito em linha com minha postagem do dia 06/07/2013 (Perdeu dinheiro com X, Y ou Z? Não adianta culpar a governança corporativa...) e da entrevista que concedi à rádio CBN no mesmo dia 06/07 (link no final do blog).

Mas um aspecto me chamou a atenção no artigo: a observação sobre o papel da CVM em evitar o uso indevido de informações privilegiadas (insider trading). Ainda que não reste dúvida sobre a responsabilidade do regulador no cumprimento dessa "atividade básica", como diz o texto, o uso indiscriminado dos termos de compromisso para o "engavetamento" de processos sancionadores transmite um recado contraditório ao mercado. Isso porque, desde longínquo caso do pessoal que sonha grande (terminho de R$ 15 milhões), passando pelo recente caso da turma de infraestrutura (terminho de R$ 4 milhões) até chegar no vergonhoso acordo de R$ 39 mil (isso mesmo, R$ 39 mil), todos no mercado sabem que insider trading virou uma infração vulgar, alvo de uma negociação em torno de valores monetários e não valores éticos, no melhor estilo Casas Bahia: quer pagar quanto?

Já fiz o teste quando um amigo pediu minha opinião sobre uma proposta de terno de compromisso. Não era um caso de insider trading é claro (ele não seria meu amigo) e sim um caso de pronunciamento em período de silêncio. Sugeri que ele ofertasse R$ 30 mil para fechar em R$ 50 mil..... Bingo, nem um centavo a mais.

Volto a afirmar: o termo de compromisso é uma excelente ferramenta para tratar de infrações sem gravidade ou falhas operacionais, desde que não a (falta de) ética do agente não seja o foco do processo. Já os bandidos merecem o mesmo destino do famoso insider do mercado norte-americano - Raj Rajaratnam: US$ 10 milhões de multa, inabilitação e 11 anos de cadeia. Parece simples, não?

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/09/e-sonho-grande-pensar-num-insider-preso.html

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A Lei 12.850, a formação de quadrilha no mercado de capitais e os saques contra fundos de pensão

22/9/2013

Pois é, com a nova Lei deixa de existir o crime de formação de quadrilha: agora é associação criminosa.

Para o povão pouco importa. Uma leitura atenta dos processos CVM 13/05, 05/2008, 2009/8224, 30/05, RJ 2009/5519, 22/94 e 21/06 nos fazem concluir que as quadrilhas que atuam no mercado de capitais não usam armas, granadas, etc.. Sob essa ótica o termo "associação criminosa" é bem palatável, pois eles só usam computadores e canetas Mont Blanc.

Vejamos a descrição sobre o "modus operanti" de acusados de operações fraudulentas em um desses processos, cuja vítima foi um importante fundo de pensão com sede no centro da Cidade Maravilhosa:

- Segundo a acusação, o artifício se dava da seguinte forma: o operador da Corretora sabia da estratégia diária do Fundo (apenas compra ou apenas venda em um determinado dia, já que o Fundo não podia realizar day-trade), e abria uma série de ordens conforme tal estratégia, especificando-as na conta 999.999. Após a realização de certa quantidade de ordens e do andamento do mercado, já era possível saber se a realização de negócios na posição oposta, na mesma quantidade, formariam day-trades de resultado positivo.

- Assim, as operações contrárias à estratégia do Fundo também eram inicialmente especificadas na conta 999.999. Posteriormente, operações de compra e de venda de igual quantidade de contratos eram reespecificadas a um mesmo comitente, que passava a ser titular de um day-trade vencedor.

- Observe-se que, até então, os negócios de compra (ou venda) registrados na conta 999.999 faziam parte do cumprimento do mandato do Fundo, isto é, seriam reespecificados para o Fundo. Entretanto, alguns dos negócios de compra (ou venda) realizados pela Corretora foram destinados a determinados comitentes, juntamente com operações de venda (ou compra), de mesmo vencimento e quantidade, formando-se, portanto, day-trades positivos.

O índice de acerto dos meliantes variava entre 95% e 100%, algo de fazer inveja ao Sr. Buffett.

E o mais preocupante: os acusados foram condenados a pagar singelas multas, mas sem que tenham sido inabilitados. Ou seja, continuam livres para "atuar" no mercado.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/09/a-lei-12850-formacao-de-quadrilha-no.html

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Liberou geral: o caráter "educativo" de um acordo de R$ 4 milhões

13/9/2013

Cadê o Ministério Público? Ou seria melhor o coro de Julinho da Adelaide/Chico Buarque em Acorda Amor: "chame o ladrão, chame o ladrão"?

O engavetamento do processo RJ2012/2833 é vergonhoso. Uma desmoralização para os técnicos que apuram a "roubalheira" e vêem o processo ser jogado no lixo. Ficha limpa para um acionista controlador e um conselheiro que negociam ações com informações privilegiadas. Não estamos falando do garçom do Figueira Rubayat que ouviu uma conversa na mesa do bar e comprou umas ações... Repito, são ADMINISTRADORES e o sócio CONTROLADOR !!! Algo comparável com o guarda de trânsito gente boa do sinal em frente ao Colégio Sacré-Couer de Marie roubar doces das criancinhas usando seu revólver. Bandido qualificado, fardado. Inabilitação? Esqueçam.

Anotem o nome dos signatários do vergonhoso terminho de compromisso.

Quem paga R$ 4 milhões para engavetar um processo é porque tem a certeza da culpa.

Êta mercadinho safado esse nosso !!! Dá nojo....

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/09/liberou-geral-o-carater-educativo-de-um.html

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Diversidade? Cadê?

8/9/2013

Sobram Pedros, Guilhermes, Antônios e Robertos. Senhores sisudos, engravatados que supostamente entendem de tudo, até de cosméticos. São elegantes, com seus ternos bem cortados e suas gravatas caras (para que servem as gravatas mesmo em um país tropical?), mas nunca usaram um batom. A verdade é que faltam Marias, Anas, Letícias e Julianas nos cargos gerenciais e nos conselhos de administração das Naturas da vida, assim como faltam negros.

Que tal incluirmos no Formulário de Referência a exigência de apresentação do percentual de mulheres e negros em cargos de chefia? Só depende da CVM...

Ao invés de impormos cotas a mudança se daria pelo constrangimento, onde as empresas que usam o termo diversidade levianamente seriam desmascaradas. A ideia pode ser boa, mas sempre pode aparecer um instituto carioca "espírito de porco" com uma liminar judicial para proteger quem não precisa de proteção e esconder o que não deve ser escondido.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/09/diversidade-cade.html

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Sustentabilidade: desmascarando as empresas enganadoras

31/8/2013

O relatório da BM&FBovespa traz uma lista das empresas que elaboram relatórios de sustentabilidade (em http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/mercados/download/Lista-empresas-sustentabilidade.pdf).

Elaborado no formato "pratique ou explique", o relatório traz desculpas esfarrapadas de empresas que usam o termo "sustentabilidade" à exaustão, sem qualquer compromisso com a verdade.

Que tal os investidores começarem a ameaçar essas empresas com a saída do papel? Não é só elaborar o relatório, tem que provar que faz algo diferenciado, medidas efetivas, duradouras, que reflitam em processos produtivos com menos impacto....

O Encontro Previ de Governança Corporativa, realizado nos dias 26 e 27/8, trouxe bons exemplos. Mas também nos fez pensar que, para alguns CEOs, é mais importante crescer no curto prazo, adquirindo concorrentes, do que criar bases sólidas para um crescimento regular e constante. Felizmente parece que os "CEOs rambos" são uma raça em extinção (oh raça !!!).

Próxima tarefa: criar uma lista negra das empresas que sonegam informações sobre remuneração de executivos, se aproveitando sorrateiramente de uma liminar de um instituto chapa branca. Não vale só reclamar do sigilo nos votos para o presidiário-deputado Donadon.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/08/sustentabilidade-desmascarando-as.html

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Os conselhos de administração constroem estratégias de fato?

24/8/2013

Existe o sentimento que os conselhos de administração no Brasil não formulam estratégias. Ou seja, os conselhos simplesmente analisam e votam as estratégias formuladas pela Diretoria.

Seria algo parecido com o que Ram Charan classifica de conselho de administração ritualista. No linguajar popular, o conselho "come na mão" dos executivos.

Hipoteticamente, a estratégia de diversificar geograficamente a produção em uma mineradora (África por exemplo) ou investir em uma nova linha de aviões (aviação executiva por exemplo) seriam estratégias nascidas das mãos dos executivos, pois os conselhos não teriam visão/conhecimento de mercado suficientes de mercado para construir tais estratégias. São os executivos que criam ideias ufanistas de comprar empresa na Suíça, por exemplo, sem que o conselho tenha dado a orientação estratégica para que a empresa procurasse ativos para comprar (qualquer semelhança com a realidade é obra de novela de TV)...

Pense nisso antes da sua próxima reunião....

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/08/os-conselhos-de-administracao-constroem.html

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Cobramos ética na política, mas e no mercado de capitais?

16/8/2013

Imagine a cena de um certo prefeito paulista (atual deputado federal) desviando recursos de uma obra superfaturada para uma conta em um paraíso fiscal britânico. Agora imagine o policial militar que usa a informação privilegiada da realização de uma blitz para proteger um famoso traficante. Repulsivo, vocês não acham?

O uso do cargo para a prática de crimes é repudiado por todos os homens de bem, menos no mercado de capitais. Sim, isso mesmo, pois verdadeiros bandidos usam o cargo que ocupam para realizar operações com ações e todos acham normal que esses "elementos" (é assim que supostos meliantes são tratados nos meios policiais) assinem termos de compromisso com a CVM para engavetar as acusações. Sem inabilitação eles continuam livres para atuar, deixando os investidores tão desprotegidos quanto os cidadãos que pagam impostos.

A aceitação de mais um "terminho" de compromisso no dia 25/6 traz o perdão, sem confissão de culpa, a um Gerente de Relações com Investidores e um Analista de Relações com Investidores que foram acusados de uso de informações privilegiadas na negociação de ações da empresa onde trabalhavam. Na mesma linha deveríamos achar normal o ex-prefeito propor um termo de compromisso para apagar os desvios passados e continuar a atuar na política livremente.

Como diria Milton Nascimento em "Trem de doido":

Nada a temer, nada a combinar

na hora de achar o meu lugar no trem

e não sentir pavor dos ratos soltos na praça.

Que tal copiarmos o mercado norte-americano e mandarmos meia dúzia de insiders para a cadeia? Pelo menos inabilitá-los para atuar no mercado... Ou será que só interessa copiarmos de lá os pacotes de remuneração para administradores?

Os ratos estão soltos na praça; sugiro que cada investidor/gestor crie a sua lista negra de insiders que assinaram termos de compromisso, uma seleção natural diante da passividade "monetarista" do xerife.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/08/cobramos-etica-na-politica-mas-e-no.html

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Remuneração variável para conselheiros: cadê os ativistas?

9/8/2013

Pois é, ao longo da semana ouvi algumas defesas um tanto quanto acanhadas da remuneração variável para conselheiros. Por parte dos ativistas o silêncio é total. Estranho....

Ferramenta para atrair grandes "celebridades"? Todos nós sabemos que os chamados ex-BBBs não fazem um bom trabalho, até fogem da raia quando o bicho pega, né ministro? E tem muito conselheiro bom disposto a receber a "modesta" quantia de R$ 15 mil/mês.

E como ficam os conselheiros eleitos pelo controlador? Será que eles precisam ser "alinhados". Vão poder comprar opções por um valor simbólico? É isso mesmo, alinhar todo mundo pelo valor da ação na bolsa, mesmo que sejam opções diferidas ao longo do tempo? Seria até engraçado ver o Sr. X receber uma remuneraçãozinha variável...

E por falar em X, aquele ponto comercial que tinha tudo para virar um ponto de peregrinação na Cidade Maravilhosa - o Bar X, na Rua Barata Ribeiro, Copacabana - teve o seu letreiro misteriosamente coberto por um plástico escuro. Será que o rapaz do topete está lendo o Blog, ficou incomodado e comprou o bar? Que é estranho é... (queridas jornalistas que tal uma matéria sobre o mistério?).

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/08/remuneracao-variavel-para-conselheiros_9.html

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3/8/2013

Remuneração variável para conselheiros: a nova "piada" do mundo corporativo

Nada como um almoço com uma pessoa inteligente, que nos faz refletir sobre temas realmente importantes. Diante da passividade dos investidores (é o silêncio bastante parecido com a estupidez, como citado por Eduardo Galeano em seu livro "As veias abertas da América Latina"), cresce a "verdade" de que conselheiros de administração devem receber remuneração variável para "alinhar interesses" (!!!). Nota: o idiota do blogueiro achava que só tínhamos que alinhar os interesses dos executivos.... Afinal, jabuti não sobe em árvore, se está lá foi gente ou foi enchente... Conselheiro não nasce conselheiro, e o compromisso dele é com a empresa... Reza a lei.

Tamanha insensatez carece de fundamentos. Vamos aos fatos:

1) Os conselhos definem estratégias, ou seja, tomam decisões de longo prazo. Ex: investir recursos na construção de uma fábrica no Oriente Médio. E monitoram a execução;

2) Se o mandato padrão é de 2 anos, podendo o conselheiro não ser reconduzido, como será definido o conjunto de metas para suportar o pagamento de remuneração variável? A fábrica só vai ficar pronta depois de 3 anos e provavelmente os resultados só poderão ser mensurados depois de 5 anos. A empresa vai pagar antecipadamente a remuneração variável?

3) E se a estratégia se revelar uma verdadeira catástrofe, o conselheiro vai devolver o dinheirinho que recebeu?

Remuneração de conselheiro de administração deve ser 100% fixa, em valor suficiente que seja atrativa, mas não excessiva a ponto de desestimular o conselheiro a "chutar o balde", caso seja necessário. (dica: R$ 12,5 mil/mês nas empresas maiores e R$ 10 mil nas menores).

Resumindo caro investidor, ACORDA !!!! Especialmente nas empresas de controle difuso, onde o conselho manda e desmanda.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/08/remuneracao-variavel-para-conselheiros.html

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28/7/2013

E agora querem conselho fiscal...

Da janela do 3901 (o chamado vôo do padeiro, que sai do santos Dumont às 6:15) dava para ver pelo menos 3 jatinhos estacionados no hangar privativo do sujeito do Topete. Será que só o chato do blogueiro reparava?

Essa conversa de empresa de capital aberto com jatinho é antiga... Quem não se lembra da empresa com sede em Brasília e negócios no Sul do País que emprestava jatinho para um nobre Senador se deslocar até o Piauí?

Conselho Fiscal agora? Só se for para descobrir pagamentos para escritórios de advocacia fora dos padrões... Ou quem sabe uma empresa de propaganda que recebe as faturas em paraísos fiscais?

Por essas e outras é que não entendo como o Novo Mercado não tem o conselho fiscal como órgão obrigatório.

Mas nem tudo está perdido, pois o "Bar X" está funcionando a pleno vapor na Rua Barata Ribeiro, quase esquina de Rodolfo Dantas, pertinho aqui de casa. Ainda que não passe de um pé sujo, típico de Copacabana, o nome é sugestivo: a bolsa caiu, bebe para esquecer, a bolsa subiu, bebe para comemorar. Será que o rapaz já está diversificando? O ponto é bom.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/07/e-agora-querem-conselho-fiscal.html

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20/7/2013

Banqueiros estavam de conluio: fica esperto Francisco

Estavam ou sempre estiveram? Não sei onde a União Européia vai parar... Parece que estão tentando redescobrir a pólvora. Será que a acusação de conluio no caso dos derivativos de 2008 (jornal Valor do dia 02/7) pode ser somada à manipulação da Libor e à falta de transparência na formação dos livros de ofertas em IPOs mundo afora? Na terra da Rainha estão estudando pena criminal para banqueiros (jornal Valor do dia 9/7) !!! Será que eles não conhecem o caso do HD do computador do famoso banqueiro baiano, pacato morador de Ipanema? Só falta organizarem uma passeata na Av. Paulista para buscar apoio da população para investigar os pobres banqueiros (pobres de espírito...).

Logo agora que o Papa criou uma comissão para auditar as contas do Banco do Vaticano e um Monsenhor foi preso tentando entrar na Itália ilegalmente com $ 20 milhões de euros, vindo da Suíça (e de onde mais poderia ser?), deixando o caso dos dólares na cueca parecer "série D do Campeonato Brasileiro". O Papa mexeu em um vespeiro... Mas basta quebrar o voto de silêncio da Irmã Vincenza sobre a morte do "Papa sorriso" para colocar meia dúzia de italianos em cana. Dica de carioca: fica ixperto Francisco.... Em pé sem cair, sentado sem dormir, deitado sem cochilar !!!

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/07/banqueiros-estavam-de-conluio-fica.html

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13/7/2013

Dicas infalíveis para ganhar dinheiro na bolsa de valores

1ª dica: não acredite em dicas. Especialmente quando um amigo te confidenciar que ouviu de um amigo que tem um amigo que trabalha na Praça Mahatma Gandhi nº 14 que o CEO topetudo falou em voz baixa para o CFO marrento dentro do elevador, em uma sombria manhã de 2ª feira na Cidade Maravilhosa, que "a loira está bombando". Como o CEO topetudo estava segurando um relatório de produção de óleo ainda inédito, esse amigo do amigo do amigo garantiu que a mensagem cifrada (a tal loira) dizia respeito a um poço na Bacia de Campos que garantirá uma produção fantástica para a empresa do topetudo. Tempos depois esse mesmo amigo do amigo do amigo ouviu o mesmo CEO topetudo afirmar, em voz baixa, que "ninguém segura o Eric". Mais uma dica imperdível...

2ª dica: deixe de ser preguiçoso e faça uma análise dos chamados fundamentos da empresa antes de investir. Sou formado na escola fundamentalista e, já tendo estudado a chamada análise gráfica, posso garantir que é muito mais fácil entender que a margem aumentou por ganhos de produtividade do que identificar os canais de alta e de baixa com seus pontos de reversão, o suporte ou a resistência do papel, o que vai acontecer depois que se forma a figura ombro-cabeça-ombro, etc...

3ª dica: desconfie desses amigos que corriqueiramente passam dicas imperdíveis. Ele possivelmente está querendo vender o papel que comprou e precisa arrumar seguidores fiéis que acreditem que a tal loira não é uma popuzuda qualquer que "maltratou" o topetudo na madrugada e sim um poço que vai produzir mais óleo que o campo de Khuzestan. É o chamado "amigo da onça".

4ª e última dica: avalie qual o nível de risco que você está disposto a correr antes de investir. Não precisa ter feito pós-gradução em mercado de capitais no IAG para entender que retirar óleo do fundo do mar é bem mais complexo do que cobrar 7,9% ao mês pelo uso do cheque especial. Caso contrário você vai terminar em uma churrascaria comendo "xuleta" com o pessoal do Boi Gordo e do Avestruz Master, tendo a hiena Hardy como mascote da turma (e ela dizia: sabia que não podia confiar no papagaio! Oh dia, oh azar !!!).

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/07/dicas-infaliveis-para-ganhar-dinheiro.html

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6/7/2013

Perdeu dinheiro com X, Y ou Z? Não adianta culpar a governança corporativa...

O colapso de certo empreendimento sediado na Cidade Maravilhosa trouxe à tona a discussão sobre como uma empresa listada no segmento máximo em termos de boas práticas de governança corporativa pode virar "pó"? As ferramentas de proteção falharam?

Convidado pela rádio CBN para falar do tema hoje (é possível ouvir a entrevista em http://cbn.globoradio.globo.com/programas/revista-cbn/2013/07/06/MECANISMOS-DAS-EMPRESAS-DE-EIKE-BATISTA-NAO-SAO-GARANTIA-DE-BOM-NEGOCIO.htm), procurei reforçar a ideia de que os mecanismos de governança corporativa não têm a função de eliminar os riscos de implantação de um negócio. Ajudam a monitorar a execução, com transparência e equidade entre os investidores. Mas o investidor deve, antes de tudo, avaliar qual o nível de risco que está disposto a correr. É simples: investir em uma empresa recém criada para descobrir/extrair petróleo é muito, mas muito mais arriscado do que comprar ações de um banco que está no mercado há mais de 50 anos, conservador, que explora uma atividade conhecida por todos há séculos (nos explora, hehehe).

Fases diferentes na vida de uma empresa também carregam riscos diferenciados: quem investiu na abertura de capital do Wal-Mart em 1970 (IPO de somente US$ 4,95 milhões), quando a empresa tinha pouco mais que 30 lojas e estava endividada, certamente correu um risco infinitamente maior do que o investidor que compra hoje as mesmas ações (a empresa já chegou à marca de 10.800 lojas com diferentes bandeiras com faturamento de incríveis US$ 466 bilhões - maior que o PIB da Áustria).

Quanto à atuação do regulador, parece que não ouve omissão ou demora. O processo administrativo deve seguir um rito, sob pena de não ter validade. As twittadas do topetudo deveriam ter sido proibidas imediatamente, pois criavam expectativas por meio de um veículo não oficial de divulgação de informações da empresa? Concordo, tanto é que escrevi sobre isso na postagem de 28/4. Twitter é para falar da balada, do carrinho novo do filhinho ou da nova namorada (da amante não dá para falar por razões óbvias). A não ser que se crie um link direto para depósito de todas as twittadas privadas do CEO nos sites oficiais.

No mais, caro investidor, quer moleza? Compra ação de empresa de cerveja em época de Copa do Mundo... Mas compra o líquido também, pois ajuda na receita e se a ação cair você já está de porre para afogar as mágoas.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/07/perdeu-dinheiro-com-x-y-ou-z-nao.html

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28/06/2013

Conselho de notáveis: e os ex-BBBs foram embora

Como diria Chico (em "Você não ouviu"): "as rosas vão murchando, e o que era doce acabou-se".

Digo e reafirmo: conselheiro independente amigo do dono é acima de tudo um dependente emocional. Algum investidor perguntou se os ex-BBBs tinham remuneração diferenciada? Parodiando o poetinha em seu Soneto de Fidelidade, na mesa do Bar Vilarinho: é infinito enquanto dure....

Conselheiro é como jabuti, não nasce conselheiro, não surge do nada como conselheiro, da noite pro dia. Assim como jabuti não sobe em árvore.... Se está lá foi gente, ou foi enchente.

E no melhor estilo capitão "Naxcimento" o controlador fala para os seus "comandados", todos famosos ex-BBBs: pede pra sair !!! É assim que funciona, o resto é defesa de tese na USP.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/06/conselho-de-notaveis-e-os-ex-bbbs-foram.html

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23/06/2013

A farra dos bônus: e de onde não se espera nada pode vir algo interessante...

Londres é a antítese perfeita da Cidade Maravilhosa: cidade sombria, chuvosa, calor humano compatível com a temperatura média da cidade. Um horror. Ok, tenho traumas por ficar preso no metrô durante os ataques terroristas de 2005, quando acontecia o ICGN, mas o fato é que a cidade e seus habitantes não são simpáticos.

Mas não é que vem de lá uma proposta interessante: bloquear o pagamento de bônus por 10 anos (publicado no jornal Valor "Bônus de bancos podem ser retidos por dez anos"). A proposta só atingiria os dirigentes de bancos, os escroques que manipularam a Libor, mas já é um começo.

E por aqui a farra continua: é bônus de contratação, bônus de retenção e bônus de saída, além dos bônus regulares por resultados anuais. Uma vergonha, considerando que não existe contrapartida nos resultados da Cia e dividendos para os pobres investidores. Será que uma passeata na Av. Paulista fará o mercado acordar?

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/06/a-farra-dos-bonus-e-da-onde-nao-se.html

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16/06/2013

As empresas inimigas da transparência, mas amigas das crianças, do hospital de Caraguatatuba e com "carimbo" de boa governança

Pois é, queridos leitores, a famigerada liminar que serve de refúgio para os executivos que sonham um dia lançar um livro contanto suas trajetórias de sucesso, ao melhor estilo do "Trio Parada Dura" (aqueles que torram R$ 15 milhões para engavetar investigação de insider trading na CVM), ganhou fôlego com mais uma recente decisão do nobre titular da 5ª Vara Federal. Observação interessante: o tal instituto que patrocina a ação é de executivos financeiros e não de CEOs, e boa parte dos "protegidos" pela liminar são residentes e trabalham em São Paulo e se filiaram ao instituto carioca somente para buscar a tal proteção, alguns após a 1ª decisão do nobre Juiz. É o que se chama de "chapa branca", que nas palavras de um amigo advogado levantaria dúvidas sobre uma possível fraude processual. Basta perguntar a cada um dos novos filiados onde fica o Bar do Gomez para comprovar a farsa (dica: é com Z mesmo e não fica em Ipanema).

Meritíssimo, sinto informá-lo que o Sr. foi induzido ao erro. Isso porque a informação que colocaria em risco executivos de empresas de capital aberto sempre esteve disponível na WEB. Vejamos o caso da empresa que tem nome de monumento carioca, vive na mídia e outro dia foi acusada de ludibriar consumidores (por prática de preços diferentes entre a gôndola e o registro no caixa). A ata da AGO do dia 17/4, publicada no site da CVM, afirma que a remuneração global anual da Diretoria será de até R$ 33.857.161,91. Considerando que empresa tem 8 diretores a divisão simples revelaria que cada um irá receber até R$ 4.232.145,23 !!! Mas vamos imaginar que o potencial sequestrador é um expert em governança corporativa que sabe que o diretor presidente recebe mais do que o restante dos diretores. Que tal 30% a mais, para sermos conservadores? Isso daria uma remuneração anual de R$ 5.302.928,97 para o presidente e R$ 4.079.176,13 para os demais diretores !!! Algum deles foi sequestrado? Não, nobre Juiz. E algum CEO de alguma empresa de capital aberto foi sequestrado? Não, nobre Juiz. E todos nós sabemos a razão: montar uma estrutura para sequestrar um executivo é cara e em dois minutos os BOPEs da vida irão às ruas para elucidar o caso. Sob a ótica de risco/retorno o sequestro relâmpago, na porta de agências bancárias, é mais eficiente, segundo os jornais.

E o pior é que 29 dessas empresas covardes, que não tem a coragem de acionar diretamente a CVM, compõem o Ibovespa (quase 50% das empresas do índice !!!), ou seja, a nata do mercado, o "ó do bobó" sob a ótica da liquidez/valor de mercado. Mas sob a ótica da transparência a nata vira lama.... e não adianta falar que é do nível 2³ de listagem, que patrocina congressos de governança e é filiado aos institutos da vida, pois o que vale não são as palavras, os carimbos e os banners, mas sim as atitudes. Nesse caso, a empresa que se esconde covardemente atrás de uma liminar, muitas vezes à revelia dos seus conselhos de administração, é inimiga da transparência.

Lá fora a revolta dos investidores ganha força. Uma linha de atuação tem sido comparar as remunerações galácticas dos executivos com a remuneração do funcionário comum: na British Petroleum, ex-CEO chegava a ganhar 63 vezes mais que funcionário comum, segundo o NYT !!! Um absurdo, afirmava a reportagem. Por aqui, sabendo que alguns executivos chegam a ganhar R$ 4 milhões/ano, não é difícil imaginar que essa relação passa de 300 vezes.

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte: http://www.blogdagovernanca.com/2013/06/as-empresas-inimigas-da-transparencia_16.html

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8/06/2013

Abaixo a ditadura !!! E os gatos gordos...

Calma leitores, nada de revanchismo contra a turma de pijama. Mas como faço parte da maioria do mercado classificado na categoria "homem probo" sou contra ideias totalitárias, como "partido único". E por que haveria de ser a favor de uma bolsa de valores única? Acreditem, existe vida além da Bovespa...

Nunca conversei com qualquer representante/enviado de bolsas estrangeiras, mas a força do mercado é impiedosa... Foi assim que o prédio da Bolsa do Rio virou um grande condomínio de escritórios (e que vista !!!). E porque não dar o mesmo destino ao imponente prédio da Rua XV de Novembro? Lembrando que a Bolsa do Paquistão já provou que é competente.... E eu que achava que no Paquistão só existiam bolsas de apostas para acertar o dia da guerra nuclear contra a Índia (toc toc toc na madeira). Quem será o garoto propaganda, já que lá não existe um Édson? Será o falecido Bin Laden?

Confesso a minha ignorância para muitos assuntos, mas ela não me impede de ler uma ata de AGO e verificar que a verba global aprovada para o pagamento de Administradores que "lideram" a listagem de incríveis 353 empresas brasileiras (no nosso invejado Paquistão são 573 !!!) chegou a incríveis R$ 22.251.484,97 !!!! E só tem notáveis, os chamados ex-BBBs (a definição de ex-BBB está na postagem de 17/03/2013)...

Já ouvi gente famosa falar que a culpa é do brasileiro, gastador inveterado que não tem a "cultura" de investir em ações. E do Governo, que estimula a gastança... Ora bolas, brasileiro já comprou boi gordo, avestruz e investiu em siderúrgica em plena floresta amazônica. Existia a cultura de investir em fundos imobiliários? Fico pensando como os paquistaneses que vivem nas montanhas devem consultar as cotações de ações da bolsa de Karachi. Meus queridos leitores, lugar de gato gordo é na Folha de SP (caderno Ilustrada), na coluna do rechonchudo Garfield (com o devido copyright - estou devendo um almoço por essa, mas tem que ser no La Fiducia...).

Que venham as NYSEs, NASDAQs, Euro-não-sei-o-que... Caso contrário o pacto pela mesmice poderá nos levar a ver surgir uma proposta de "fusão hostil" para criação de uma "Boveska" (fusão com a famosa bolsa de valores de Karachi-Paquistão) ou "Bovesta" (fusão com a bolsa da Tailândia). Quando o assunto é mercado de capitais deve prevalecer a regra do livre mercado, ou seja, quem não tem competência deve pular fora.... Será que alguém discorda?

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte:http://www.blogdagovernanca.com/2013/06/abaixo-ditadura-e-os-gatos-gordos.html

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1/06/2013

PAC-PME: porque existe vida além do Ibovespa

Os textos do analista André Rocha, blogueiro do jornal Valor (veja no blog "O Estrategista" em http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/3068560/estagnacao-da-bolsa-faltam-investidores-ou-cias e http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/3072946/estagnacao-da-bolsa-o-debate-continua) trazem um debate instigante e bem fundamentado sobre a triste realidade do nosso mercado.

Sou da opinião que faltam ativos. Tenho discutido muito com gestores de fundos, não a turma "MMA" que só quer tumulto para arrumar "algum $$", mas a turma séria que corre atrás de bons ativos com base na análise fundamentalista.

Não podemos ficar parados, envergonhados e lamentando termos quase o mesmo número de empresas listadas que Mongólia e Vietnã. Mas parece que fazer palestra na praia, mesmo que seja para os endinheirados que freqüentam o Guarujá, não tem surtido efeito.

Tenho a impressão de que o investidor está de saco cheio de renda fixa, mas também não quer ficar na mesmice das ações que compõem o Ibovespa ou entrar em um fundo que adquire títulos das "novas" estrelas do mercado de bônus internacionais - Belarus, Zâmbia, Geórgia, Bolívia, Tanzânia, Paraguai, Angola, Nigéria, Albânia, Montenegro, Jordânia, Honduras e as novatas Papua-Nova Guiné e Ruanda (lembram do filme "Hotel Ruanda"? Deve ser um ótimo ambiente de negócios...).

Diante dessa realidade é que o espaço Blog da Governança irá apoiar formalmente a iniciativa chamada PAC-PME (veja o link http://www.pacpme.com.br). Mais formalização dos negócios, difusão das boas práticas de governança corporativa, geração de empregos, etc, etc. Todos ganham, e não somente os bancos de investimento, ganhadores vorazes e contumazes nos IPOs. Não sou um louco sonhador que vislumbra a possibilidade de quebra do poderoso lobby da Imprensa nacional e dos jornais, permitindo a publicação de demonstrações financeiras simplificadas, nem a redução da freqüência de exigência de auditoria externa (poderia ser semestral ou até anual para as empresas do Bovespa Mais...), mas dá para mexer em outras regras "burras".

Abraços a todos e uma boa semana.

Fonte:http://www.blogdagovernanca.com/2013/06/pac-pme-porque-existe-vida-alem-do.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+BlogDaGovernana+(Blog+da+Governan%C3%A7a)&m=1

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Sobre o Autor Sobre o Blog
Carioca, 47, mestre em Ciências Contábeis pela UFRJ, com certificações pelo IBGC (conselheiro fiscal e de administração) e ICSS (profissional de investimentos em entidades de previdência fechada), além de possuir registro de administrador de carteiras de valores mobiliários da CVM. Atuação em vários conselhos de administração e fiscal de empresas de capital aberto e fechado, autor de diversos artigos sobre governança corporativa e livros (sempre em co-autoria). Trabalhou na BBDTVM e no BB-Banco de Investimento S/A, sempre na área de participações acionárias, e foi diretor de participações da Previ (maior fundo de pensão da América Latina) entre 2003 e 2008, tendo sob gestão mais de 80 participações acionárias relevantes e a carteira imobiliária, composta por imóveis comerciais para renda (mais de 300 contratos) e hotéis, hospitais e galpões industriais. É sócio da consultoria Mesa Corporate Governance e desenvolve atividades acadêmicas nas principais escolas de negócios do país

A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa. Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

Uma crônica semanal sobre direitos e deveres de acionistas, ativismo e regulação no mercado de capitais

ACOMPANHE MAIS INFORMAÇÕES DIRETAMENTE NO BLOG DA GOVERNANÇA

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26/05/2013

Fazendo negócios em países onde a corrupção corre solta

As dicas estão em uma matéria publicada na Revista Harvard Business Review de outubro/12, que trata da criação de uma empresa de telecomunicações no continente africano:

- Blindar a gestão local restringindo a alçada para gastos. Toda despesa acima de US$ 30 mil, isso mesmo US$ 30 mil, só era aprovada com autorização de todo o conselho de administração. Como o centro de decisão não era local os corruptos de plantão ficavam desnorteados, sem saber quem pressionar;

- Eleger conselheiros com conexões continentais, que permitissem a mobilização imediata das autoridades em casos de tentativa de cobrança de propina por parte de agentes governamentais. O escolhido foi um ex-secretário-geral da União Africana, que usava o discurso de que qualquer tentativa de cobrança de propina era uma vergonha para a África;

- Só participar em processos públicos de concessão de licenças - por conta dessa regra a empresa desistiu de explorar oportunidades na Guiné e em Angola.

Resumo da história: a Celtel, criada por um experiente executivo sudanês com 5 funcionários, US$ 16 milhões de capital e licenças para atuar no Malawi, Zâmbia, Serra Leoa e Congo, foi vendida antes de abrir o seu capital em Londres por US$ 3,4 bilhões para uma empresa do Kuwait, tendo alcançado um faturamento de US$ 614 milhões, investimentos de US$ 750 milhões e 5,2 milhões de clientes. E um lucro líquido de US$ 147 milhões !!! Números impressionantes para quem acha que é impossível atuar com seriedade naquele continente.

O mais irônico da história é que os mesmos bancos que haviam exigido todos os estoques de ativos como garantia de uma merreca de empréstimos (a juros escorchantes), meses antes da venda da Cia., foram os que financiaram a empresa do Kuwait na aquisição, tendo como única garantia exatamente os mesmos ativos.

Para reflexão gostaria de apresentar um trecho da música Miséria, dos "Titãs":

- Miséria é miséria em qualquer canto

- Riquezas são diferentes

- Índio, mulato, preto, branco

- Miséria é miséria em qualquer canto

- Riquezas são diferentes

- Miséria é miséria em qualquer canto

- Filhos, amigos, amantes, parentes

- Riquezas são diferentes.

Mas já passou da hora de caçar os bilhões desviados por ditadores africanos para paraísos fiscais. E fazer algo concreto para mudar aquela realidade assustadora, sem pensar somente em quantos aparelhos celulares serão vendidos e quantas obras serão feitas.

Abraços a todos e uma boa semana

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17/05/2013

E vamos parar na eleição de conselheiros?

O excelente levantamento feito pela jornalista Ana Paula Ragazzi nas atas de 110 assembleias, publicado no último dia 16/5 ("Os instrumentos que podem garantir a vaga no conselho" e "Minoritários avançam na eleição de representantes"), reforça o sentimento de que o ativismo dos investidores está aumentando, na linha do guru Bob Monks: "Onde começar? O lugar onde começar é com o conselho. A maneira como se transmite o desejo de algum tipo de mudança é por meio da efetivação da mudança no conselho."

Mas que tal discutir a remuneração nababesca dos executivos e do próprio Conselho de Administração, especialmente nas empresas que escondem a informação covardemente, com a ajuda do mais paulista dos institutos cariocas? E também parar de ficar na pindaíba a cada assembleia, tentando aglutinar votos para instalar o conselho fiscal? Não seria o caso de propor logo a alteração do Estatuto Social e transformar o conselho fiscal em órgão permanente? Afinal, a empresa é compromissada com as boas práticas ou não é?

Os investidores ativistas estão de parabéns (assim como o nosso querido Glorioso !!!), mas dá para avançar mais.... Sonhar não custa nada.

Abraços a todos e uma boa semana

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11/05/2013

Melhores práticas de Governança Corporativa em 1755?

Arrumando o escritório achei uma pérola, que merece ser compartilhada: trata-se do estudo feito pelo professor doutor do curso de mestrado do Centro Universitário Santo Andre (SP) Álvaro Ricardino e a pesquisadora Sofie Tortelboom Aversari Martins, em artigo publicado na Revista Contabilidade & Finanças da USP (nº 36 set/dez-2004) sob o título "Governança Corporativa: um novo nome para antigas práticas?" (disponível para leitura em http://www.revistas.usp.br/rcf/article/view/34145).

Acreditem, até rodízio de auditores estava previsto: "Os interessados [peritos] que se nomearem para tomar as contas dos quatro Administradores não poderão ser nomeados para as dos anos seguintes, e só passados seis anos poderão tomar outras contas, e cada um destes dois nomeados vencerá [receberá] cinquenta mil réis, por cada conta que tomar".

Melhor impossível!!! Vale a leitura.

Abraços a todos e uma boa semana

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4/05/2013

Temporada de assembleias: foi bom para você?

Ainda não pude fazer uma avaliação da safra de assembleias-2013, mas até onde foi noticiado o ativismo aumentou, especialmente com pedidos de votos múltiplos para a eleição de conselheiros de administração.

É a receita do grande guru Bob Monks: "a maneira como se transmite o desejo de algum tipo de mudança é por meio da efetivação da mudança no conselho".

Nota DEZ. Mas como diria Paulinho da Viola, "porém, ah! Porém..." não constam registros de solicitação de instalação de conselhos fiscais e votos contrários às nababescas remunerações de Administradores.

Eleger um conselheiro de administração contestador é importante, especialmente nas empresas que estão perdendo o rumo (como foi o caso daquela suada eleição para a empresa que matava franguinho e achava que era banco...). Mas se limitar a isso é preocupante. Afinal, ir fundo nos números, entendendo o processo de construção dos mesmos, e denunciando quando preciso for, só mesmo com um conselho fiscal atuante. Sem falar no fato de que quase 50% das empresas do Ibovespa continuam escondidas por trás da liminar obtida pelo mais paulista dos institutos cariocas para afrontar a CVM.

Abraços a todos e uma boa semana.

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28/04/2013

Twitter de CEO é público ou privado?

Ao ser entrevistado pela jornalista Ana Paula Ragazzi sobre a polêmica em torno das twittadas de um famoso CEO, matéria publicada no jornal Valor do dia 22/4, fui enfático em afirmar que todo Administrador que fala ou escreve sobre a Cia onde atua tem que responder pelo que fala, mesmo que isso aconteça em uma mesa do Cervantes às 3:00 da madrugada. E se o regulador não questioná-lo vira bagunça.

Confesso que recentemente aderi a tal ferramenta da chamada rede social, mas tão somente para divulgar o Blog. Para meu espanto, mesmo sem qualquer divulgação, a tal conta (@bloggovernnaca) já tem vários seguidores, de origens variadas e desconhecidas. Mas o sucesso dessa e de outras ferramentas tem origem nos jovens, que compartilham informações tão inúteis como "estou chegando no show do Motosserra Truck Clube" somente para se manterem em evidencia com os amigos. Pergunto-me se um dia o trafego de informações não irá "explodir", tamanho é o numero de fotos e textos que são compartilhados e curtidos? A conferir....

Criar expectativas somente para alguns investidores é um delito e como tal deve ser tratado. Para o não avisado, o responsável pela divulgação de informações em uma empresa listada é o diretor de relações com investidores (DRI) e as ferramentas são os chamados "fatos relevantes", os "comunicados ao mercado" e os "avisos aos acionistas", com depósito das informações nos sites da CVM e bolsa, além do site da Cia. Isso sem falar nos documentos que são publicados obrigatoriamente nos respectivos veículos oficiais de divulgação (jornal definido pelos acionistas em assembleia). Uma assessoria de imprensa ajuda muito, especialmente se a empresa está nas paginas dos jornais e revistas, como é o caso. Mas imaginar que o investidor vai ser obrigado a seguir nos twitters da vida todos os Administradores de todas as empresas onde investe, alem dos fatos relevantes, é tripudiar do bom senso.

A preocupação que devemos ter é de reduzir a assimetria de informações e não aumentá-la. Ou será que existe a curiosidade em saber se o magnata vai ao show do "Motosserra Truck Clube" a bordo de sua McLaren F1?

Abraços a todos e uma boa semana

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